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São 507 anos desde o descobrimento do Brasil. Brasil “do mundo novo”. Brasil, meu Brasil, já não tão jovem nação, mas ainda na intenção de ser grande. Brasil descoberto por Cabral, descrito por Caminha, amado e defendido por Anchieta, dos índios, dos brancos e dos negros, dos imigrantes que chegam se encantam e aqui fixam raízes, enriquecendo nossa cultura, nossa arte.
Brasil, cantado e criticado nos versos e em músicas. Mas, que se pensarmos em termos de povo, de gente, nesta brava gente brasileira - que de sol a sol batalha, enfrentando dificuldades, esticando daqui e dali o orçamento -, vem à mente a grandeza que envolve as pessoas desta terra, causando a sensação de já sermos um grande povo. Porque há uma solidariedade inexplicável de quem divide o pouco com quem menos tem. Há gente que trabalha levando cultura, informação, solidariedade, levando esperança, transformando mentes e corações, melhorando e dando prazer, vontade de ser feliz e contribuir para que outros também possam crescer, não financeiramente, mas como seres humanos.
O Brasil tem muita gente de valor. Talentos perdidos nos lugares mais inóspitos e inesperados. Talentos que precisam ser cuidados e lapidados, revelados, somados à grandeza pátria que não é só feita das riquezas minerais da terra, das fontes de água, das atuais, poucas, verdes matas. É grandeza feita de gente, gente que todo dia dá o seu quinhão de sacrifício para fazer crescer esta nação. Rostos anônimos de muitas Marias, Josés e João, responsabilidade não só política, mas, também, social.
Cada um de nós, brasileiros, deve procurar fazer sua parte, esquecer o egocentrismo que dá asas enormes à vaidade e ao isolamento, aprender a escutar, aceitar as diferenças, criticar menos e ajudar mais, melhorar ou consertar o que está errado, procurando entender que a verdade nem sempre está onde se quer; movimentar o seu meio, o seu “em torno” e agir na prática como cidadão. Não só aquele que reivindica porque paga impostos e contas, mas porque é correto e necessário dar o direito à vida, às oportunidades, à dignidade, se não por trabalho feito de ações construtivas, que seja pela voz, pela força da palavra que jamais deverá ser calada ou sepultada na apatia.
Nestes 507 anos de Brasil e nos próximos que se seguirão, deveríamos redescobrir a pátria. Redescobrir os valores da nossa gente todos os dias, valorizar as nossas raízes miscigenadas, a nossa língua e a sabedoria dos que já percorreram tantas estradas, sofreram tantas mudanças e, assim, fazer brotar o orgulho que todos devemos ter: o orgulho de ser brasileiro. Vamos redescobrir o Brasil.
Regina Sant'Anna
16/04/2007.
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