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É certo que a sociedade mundial, cada vez mais se entrega ao capitalismo e a globalização. Do final do século XX para o século XXI, a sociedade mundial, há não muito tempo, viu o muro de Berlim ser posto abaixo, viu o império russo mergulhar em cinzas, vitimados por regimes políticos falidos e de segmento desvirtuado dos verdadeiros ideais socialistas, onde a igualdade de direitos, a democracia que diz que o governo é do povo para o povo, jamais foram respeitados em seus verdadeiros princípios.
Em maio de 2007, pleno século XXI, uma preocupação assola um país da América Latina, preocupação de retroagir no tempo, de voltar aos tempos de totalitarismo e temer que o bem mais precioso do homem seja desrespeitado e tolhido, bem este, chamado liberdade. A liberdade que não é só um ato de ir e vir, mas de opinar e poder discordar sobre o que achamos bom ou ruim para podermos chegar a um consenso comum e benéfico para todos, de poder expressar e contestar, de poder aceitar ou não, conhecer ou não, o que achamos digno e defendemos por acreditarmos num ideal, até que nos provem estarmos errados e, sendo assim, tenhamos, também, a hombridade de acatar e reconhecer o nosso erro. Será que voltaremos no tempo?
Atitudes de homens como o presidente Hugo Chaves, deixa a sociedade mundial inquieta e temerosa. Diz o Senhor Presidente da Venezuela, que sua intenção é levar o país rumo ao socialismo, mas ao mesmo tempo nos arremete ao medo da ditadura disfarçada, quando fecha uma emissora de TV, a RCTV, e impede que a liberdade de expressão seja exercida. O bom, o verdadeiro líder, não temerá as palavras contrárias se estiver fazendo o que é correto e justo; mas se há palavras contrárias e dependendo do número de vozes que se elevam contra elas, este líder não está liderando do povo para o povo, algo em suas atitudes deve ser repensado.
Fechar uma emissora como a RCTV (Rádio Caracas de Televisión), no ar há 53 anos, é no mínimo um ato arbitrário, absurdo e ultrajante.
A arte não quer ser política, a cultura deve ser livre de políticas, mas se sente ferida com tal atitude. A televisão é mais do que um meio de comunicação de massa, é emprego para o cidadão, é a forma mais rápida e direta de levar informação para a população de todas as classes e um dos maiores veículos para a formação de opinião, de menor custo e abrangência social. É certo que nem sempre os meios televisivos sejam salutares, mas é, atualmente, o meio mais acessível de se propagar idéias, culturas variadas, de trazer o mundo através de uma pequena tela para dentro da comodidade do lar, de trazer informação de forma quase instantânea.
A sociedade mundial e os defensores da democracia, e da propagação da cultura irrestrita devem se indignar e protestar contra este ato do presidente venezuelano. Não se deve parar toda uma estrutura porque esta não diz o que se quer que seja dito ou discorda sobre as atitudes dos lideres políticos do momento, que detêm em suas mãos o poder de atar com mãos de ferro e, arbitrariamente, o direito de liberdade de expressão. O que mais será cerceado? São atitudes como estas que levam a obscuridade da ignorância, são atitudes como estas que promovem o desequilíbrio social, atentam contra a democracia e promovem conflitos, impedindo-nos de alcançarmos a igualdade de direitos e a paz que a humanidade tanto almeja e necessita. Devemos nos calar? Ou devemos nos unir e elevar mais alto nossas vozes contra atitudes como esta?
Dê sua opinião sobre este assunto e a publicaremos à medida que nos for possível.
"Ler e ouvir os noticiários sobre “aquele senhor”, presidente “daquele país aqui ao lado” atribuindo um novo apelido ao congresso brasileiro foi aquecedor, diante das baixas temperaturas, principalmente no sudeste e sul do Brasil.
A mídia cobrindo o fato com mantas de lã, edredons e alguns panos nada calientes, questionando sobre o que deveriam fazer as autoridades e o povo trabalhando, como sempre, meio que alheio ao problema criado tão próximo de nós.
Concordo que a atitude do “tal fulano” de tirar do ar uma emissora de TV interfere diretamente na cultura daquele país. Uma emissora de televisão transmite fatos, atualidades, notícias, esporte, diversão, entretenimento, promove a interatividade e muitas vezes é a única opção e presença viva na solidão de certas casas.
Lembrei-me da crônica da Martha Medeiros que transcrevo abaixo.
Esse é o grito que deveríamos ouvir do povo venezuelano, mas aqui
entre nós e que todos nos leiam:
Seria essa figura política o anti cristo previsto por Nostradamus?
Seria essa “coisa” a ferramenta anticultural que o mundo moderno rejeita
e repudia?
Seria esta a oportunidade de evitar-se um conflito maior e sem precedentes começando
por escrever um manifesto internacional de solidariedade aos tempos de paz, amor
e liberdade?
Ou será que estamos pisando em ovos?
Há perguntas que o planeta quer responder porque nota-se claramente
que o cidadão torna-se cada dia mais forte e nós continuamos acreditando
que a cultura é uma arma altamente poderosa.
Saudações verde-amarelas"
Independência ou morte - Martha Medeiros
Tem uma série de coisas que a gente deseja na vida: uma profissão que nos realize, uma intensa vida afetiva, viagens, amigos, descobertas. Mas se eu tivesse que resumir em uma única palavra o que considero a mais importante conquista, esta palavra seria independência.
Começou a contagem regressiva para o 7 de setembro, dia em que se comemora a independência do Brasil. No entanto, prefiro comemorar a minha, a sua, a nossa. Não há quem não sonhe em trabalhar por conta própria, ser patrão de si mesmo. Os que conseguem não trocam por nada. Como conseguir isso? Dominando um ofício, indo além do que os outros aprenderam, fazendo as coisas do seu próprio jeito, arriscando. Parece difícil, e é. E mais difícil ainda é ser independente no amor. Paixão não entra nessa conversa. Quando estamos apaixonados somos todos dependentes de telefonemas, de e-mails, de declarações, de presença constante. Já o amor, que é um estágio posterior, mais sereno e seguro que a paixão, permite o desenvolvimento da independência. Você não precisa estar em todos os lugares que o seu amor está, você não precisa concordar com tudo o que ele pensa, você não precisa abdicar dos seus projetos, você se sustenta, você conta, você existe. Tem gente que abre mão disso por puro comodismo. Prefere ser uma sombra, um sparing . Defende-se dizendo que não tem outro jeito. Mentira. É uma escolha. Ir sozinha ao cinema. Viajar. Pagar sua dívidas. Dirigir. Não afligir-se (tanto) com a opinião alheia. Saber cozinhar pra si mesmo, entreter-se com hábitos solitários como a leitura, pegar um táxi, resolver os próprios problemas, tomar decisões com confiança. Não “precisar” dos outros, e sim contar com os outros para aquilo em que eles são insubstituíveis: companhia, sexo, risadas, amizade, conforto.
Se você ainda não atingiu este estágio, suba num cavalo imaginário e dê seu grito do Ipiranga. Ficar amarrado à vida alheia faz você viver menos a sua. Nada de fazer-se de desentendida só para não se incomodar. Incomode-se. Dependência é morte.
Movimento Cultural de Literatura e Arte do Brasil - LITER & ART BRASIL
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Layout 4Auroras, por Elida Kronig